março 2012


É no Theatro Municipal do Rio de Janeiro que acontece a cerimônia de entrega do Prêmio. Um cartão postal da cidade, que foi inaugurado em 1909 e restaurado numa obra que terminou no ano passado. E quem nos leva para conhecer um pouco mais deste patrimônio é Gringo Gardia, cenógrafo do PMB.


O elenco e o repertório da cerimônia de Premiação do Prêmio da Música Brasileira já começam a ser definidos. Primeiro artista confirmado: Ney Matogrosso. Ele cantará "O Cavaleiro e os Moinhos", uma parceria de João e Aldir Blanc que está em "Galos Briga".

A música foi sucesso na voz de Elis Regina, que a gravou no clássico "Falso Brilhante", em 1976.



Veja a letra:

Acreditar
Na existência dourada do sol
mesmo que em plena boca
nos bata o açoite contínuo da noite.
Arrebentar
a corrente que envolve o amanhã,
despertar as espadas,
varrer as esfinges das encruzilhadas.
Todo esse tempo
foi igual a dormir num navio:
sem fazer movimento,
mas tecendo o fio da água e do vento.
Eu, baderneiro,
me tornei cavaleiro,
malandramente,
pelos caminhos.
Meu companheiro
tá armado até os dentes:
já não há mais moinhos
como os de antigamente


Durante sua história, o Prêmio da Música Brasileira já promoveu muias parcerias em suas noites de premiação. E encontros de gerações. A reunião de artistas emblemáticos de nossa música com revelações mostra que o PMB está sempre apontando para o futuro, mas sem esquecer de honrar com o passado. Afinal, a história da música popular brasileira não é qualquer uma!

Veja Tulipa Ruiz falando sobre o que isso representa para os artistas que estão chegando.



Neste outro vídeo,  Lenine e João Cavalcanti, do Casuarina, falam sobre Clara Nunes pouco antes de pisar no palco em 2009.


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Nesta semana, João Bosco esteve no escritório do Prêmio da Música Brasileira para conversar sobre a homenagem e também sobre a comemoração dos 40 anos de carreira. Mas reunião com João Bosco sempre acaba em bom papo.  A conversa era sobre Aldir Blanc. João falava como o parceiro era certeiro ao definí-lo. Dia desses, por exemplo, conversavam ao telefone. João divagava. Aldir esperou que ele concluísse sua filosofia e respondeu: "Então, você não quer ir para o céu, mas já não vive no chão. E eu já escrevi isso!"

E é a letra de  “Sonho de caramujo: “Cumpri o astral de caramujo musical/Hoje eu gripo ou canto/Não vou pro céu, mas já não vivo no chão/Eu moro dentro da casca do meu violão”, diz a letra, que batizou até o disco de João, "Não vou pro céu, mas já não vivo no chão”. "Depois de mais de 40 anos de carreira e centenas de músicas compostas com Aldir Blanc, finalmente uma das maiores duplas da história da música brasileira gerou a canção que retrata João Bosco à perfeição", já escreveu jornalista e crítico musical Hugo Suckman.

Mas chega de papo! O bom mesmo é assistir o João contado a história durante a reunião. Veja aqui!


A obra de João Bosco, o homenageado da edição 2012 do Prêmio, é extensa e vale a penas ser comentada. E que tal começarmos com "Incompatibilidade de Gênios", do clássico álbum "Galos de Briga" ? É uma parceria com Aldir Blanc que conta os dramas de um homem casado com uma mulher geniosa. E que  faz tudo para levá-lo à loucura. "Dotô, se eu peço feijão, ela deixa salgar / Calor, mas veste casaco pra me atazanar / E ontem, sonhando comigo mandou eu jogar / No burro / E deu na cabeça, a centena e o milhar / Quero me separar!", canta João.

Caetano Veloso diz que pensa muito nessa música desde que ela foi lançada, em 1976. "É um acontecimento na história do samba, uma obra-prima. O João Bosco tocando violão (nessa música) é um dos melhores momentos da  história do violão brasileiro", acredita o cantor , que fez sua versão ao lado da banda Cê.


Quem também regravou a música foi Clementina de Jesus. Escute a versão!