22ª Prêmio de Música Brasileira

Homenageado: Noel Rosa

O “Poetinha da Vila”

 O 22º Prêmio da Música Brasileira homenageia em 2011 Noel Rosa, trazendo à memória do brasileiro as canções e histórias que marcaram os poucos, porém, intensos, 26 anos de vida do “Poetinha da Vila”.

Noel de Medeiros Rosa nasceu no dia 11 de dezembro de 1910, no bairro de Vila Isabel, zona norte do Rio de Janeiro. Noel Rosa, o “Poetinha da Vila”, foi um dos maiores e mais importantes artistas da música no Brasil, contribuindo de maneira definitiva para a legitimação do samba de morro que era marginalizado pelas classes mais abastadas.

Noel Rosa nasceu de um parto muito difícil, que incluiu o uso de fórceps pelo médico obstetra, como medida para salvar as vidas da mãe e do bebê.  O procedimento, no entanto, causou uma fratura e afundamento no maxilar, além de uma pequena paralisia na face direita, que o deixou desfigurado para o resto da vida, apesar das cirurgias sofridas aos seis e doze anos de idade. Filho de Manuel Medeiros Rosa, gerente de camisaria, e da professora Marta de Azevedo, sua família era de classe média, tendo estudado no tradicional Colégio São Bento.

Morou, durante seus curtos vinte e seis anos e meio de vida, na mesma casa, na Rua Teodoro da Silva, que tempos depois seria demolida para a construção de um prédio residencial que hoje leva o seu nome. Quando seu pai foi trabalhar como agrimensor numa fazenda de café, a mãe abriu uma escola dentro de casa, passando a sustentar os dois filhos, Noel e Hélio, o mais novo, nascido em 1914.

Na adolescência, aprendeu a tocar bandolim “de ouvido”, tomou gosto pela música e pela atenção que ela lhe proporcionava. Do bandolim, passou ao violão e a freqüentar a boemia carioca. Aos 17, Noel entrou para a Faculdade de Medicina, mas o apelo da vida boêmia foi mais forte que o projeto de se tornar médico. O compositor foi integrante de vários grupos musicais, entre eles o Bando de Tangarás, ao lado de João de Barro (o Braguinha), Almirante, Alvinho e Henrique Brito.

Em 1929, Noel arriscou as suas primeiras composições, “Minha Viola” e “Toada do Céu”, ambas gravadas por ele mesmo. Mas foi em 1930 que o sucesso chegou, com o lançamento de “Com que roupa?”, um samba bem-humorado que sobreviveu décadas e hoje é um clássico do cancioneiro brasileiro.  A história sobre essa música é tão cômica quanto a mesma: Noel se preparava para sair com amigos para mais uma noitada, a mãe, no intuito de impedi-lo de ir, escondeu suas roupas, ele, com pressa, perguntou-se: “Com que roupa eu vou?”, assim nasceu um dos sambas mais conhecidos do Poetinha da Vila. Noel se revelou um talentoso cronista do cotidiano, com uma sequência de canções que primam pelo humor e pela veia crítica. Exemplo disso, são as músicas que surgiram a partir da rivalidade com Wilson Batista. Os dois compositores travavam verdadeiros duelos com letras agressivas e bem-humoradas.  É o caso de “Feitiço da Vila” e “Palpite Infeliz”.

A vida de artista lhe rendeu vários romances, com moças de bem, casadas, solteiras e também prostitutas. A sua maior paixão, no entanto, foi a dançarina Ceci (Juraci Correia de Araújo), a prostituta de um cabaré na Lapa, sua amante de longa data. Para ela, Noel compôs “Dama do Cabaré” e “Último desejo”.  Apesar do amor por Ceci, em 1934, foi obrigado a casar com Lindaura Medeiros Rosa. A mãe da moça o pressionou, já que Lindaura tinha apenas 13 anos de idade, dez a menos do que ele. Grávida, ela perdeu o filho meses após o casamento. A união com a jovem, no entanto, não modificou seus hábitos boêmios e não o separou da dançarina.

Foram esses mesmos hábitos que comprometeram sua saúde de maneira irreversível e o condenaram à morte. Após o casamento, no início de 1935, Noel viajou com a mulher para se tratar em Belo Horizonte (M G), pois já estava com os dois pulmões lesionados. Porém, o Poetinha não conseguiu ficar muito tempo longe da boemia, logo começou a freqüentar os bares e o meio artístico da capital mineira, inclusive, apresentando-se em uma rádio local.  Voltou ao Rio, em setembro deste mesmo ano.

No dia 04 de maio de 1937, o Brasil perdeu precocemente o seu “Poetinha da Vila”, aos 26 anos. Há muitas versões sobre a causa da morte. Os jornais da época publicaram, inclusive, ataque cardíaco. Independente da causa, sua morte aflorou a emoção dos cariocas que compareceram ao enterro, muitas personalidades da música e do rádio. À beira de seu túmulo, Ary Barroso fez um discurso emocionado, homenageando o amigo e parceiro. Todavia, passado alguns anos, poucos se lembravam de Noel Rosa.

Após uma década de esquecimento, em 1950, Aracy de Almeida ressuscitou o poeta de Vila Isabel e passou a cantar, na famosa boate Vogue, sambas inéditos dele. Esse novo começo fez o compositor ser redescoberto. Várias homenagens foram prestadas pelo público e por autoridades. Um busto foi inaugurado na Praça Tobias Barreto, mais tarde foi colocado na Praça Barão de Drumond, em Vila Isabel. A comunidade de Vila Isabel também lhe rendeu homenagens ao inaugurar um monumento no Cemitério São Francisco Xavier, onde o compositor foi sepultado, em comemoração ao cinqüentenário do nascimento do sambista.

O Prêmio da Música Brasileira, em sua 22ª Edição, também homenageia Noel Rosa, trazendo à memória do brasileiro as canções e histórias que marcaram os poucos, porém, intensos, 26 anos de vida do “Poetinha da Vila” que em 11 de dezembro de 2010 completaria um século de vida.

Fonte: Wikipédia e Dicionário Cravo Albim da MPB


Premiados

CANÇÃO POPULAR

Melhor Álbum
Artista: Criolina
Álbum: Cine Tropical
Produtor: Evaldo Luna e Criolina

Melhor Dupla
Artista: Zezé Di Camargo e Luciano
Álbum: Double Face(02)

Melhor Cantor
Artista: Reginaldo Rossi
Álbum: Cabaret Do Rossi

Melhor Cantora
Artista: Sandra de Sá
Álbum: África Natividade

Melhor Grupo
Artista: Roupa Nova
Álbum: Roupa Nova 30 Anos Ao Vivo

ESPECIAL

DVD 
Artista: Arnaldo Antunes
Álbum: Ao Vivo Lá Em Casa
Produtor: Andrucha Waddington

Disco Em Língua Estrangeira
Artista: Leny Andrade
Álbum: Alma Mía

Disco Erudito
Artista: Nelson Freire
Álbum: Chopin The Nocturnes

Disco Infantil
Artista: Quando Eu Crescer
Álbum: Éramos Três
Produtor: Éramos Três

Disco Projeto Especial
Artista: Vários Artistas
Álbum: Adoniran 100 anos
Produtor: Thiago Marques Luiz

Disco Eletrônico
Artista: Guizado
Álbum: Calavera
Produtor: Guilherme "Guizado" Menezes

INSTRUMENTAL

Melhor Álbum
Artista: Hamilton de Holanda e André Mehmari
Álbum: Gismonti Pascoal
Produtor: Hamilton de Holanda, André Mehmari e Marcos Portinari

Melhor Solista
Artista: Hamilton de Holanda
Álbum: Esperança Ao Vivo na Europa

Melhor Grupo
Artista: Trio de Câmara Brasileiro
Álbum: Saudades de Princesa

MPB

Melhor Disco
Artista: Roberta Sá & Trio Madeira Brasil
Álbum: Quando o Canto é Reza
Produtor: Pedro Luis, Marcello Gonçalves e Renato Alscher

Melhor Cantor
Artista: Emílio Santiago
Álbum: Só Danço Samba

Melhor Cantora
Artista: Roberta Sá & Trio Madeira Brasil
Álbum: Quando o Canto é Reza

Melhor Grupo
Artista : Os Cariocas
Álbum : Nossa Alma Canta

POP / ROCK / REGGAE / HIPHOP / FUNK

Melhor Álbum
Artista: Pato Fu
Álbum: Música de Brinquedo
Produtor: John Ulhoa

Melhor Grupo
Artista: Pedro Luís e a Parede
Álbum: Navilouca Ao Vivo

Melhor Cantora
Artista: Vanessa da Mata
Álbum: Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias

Melhor Cantor
Artista: Lulu Santos
Álbum: Lulu Acústico II

PROJETO VISUAL

Projeto Visual
Artista: Paulo César Pinheiro
Álbum: Capoeira de Besouro
Projeto: Gringo Cardia


REGIONAL

Melhor Disco
Artista: Capoeira de Besouro
Álbum: Paulo César Pinheiro
Produtor: Luciana Rabello

Melhor Grupo
Artista: Quinteto Violado
Álbum: Quinteto Violado canta Adoniran Barbosa & Jackson do Pandeiro

Melhor Cantor
Artista: Vitor Ramil
Álbum: Délibáb

Melhor Dupla
Artista: Renato Teixeira & Sérgio Reis
Álbum: Amizade Sincera

Melhor Cantora
Artista: Elba Ramalho
Álbum: Marco Zero - Ao Vivo

REVELAÇÃO

Revelação
Artista: Luísa Maita

SAMBA

Melhor Disco
Artista: Wilson das Neves
Álbum: Pra gente fazer mais um samba
Produtores: Wilson das Neves, Zé Luiz Maia, João Rebouças e André Tandeta

Melhor Cantor
Artista: Zeca Pagodinho
Álbum: Vida da minha vida

Melhor Grupo
Artista: Gafieira São Paulo
Álbum: Gafieira São Paulo

Melhor Cantora
Artista: Alcione
Álbum: Acesa - Ao vivo em São Luís do Maranhão

ARRANJADOR

Arranjador
Arranjador: Cristóvão Bastos
Artista: Edu Lobo
Álbum: Tantas Marés


MELHOR CANÇÃO

Melhor Canção
Música: Dolores e Suas Desilusões
Interprete: Zeca Pagodinho
Álbum: Vida da Minha Vida
Compositor: Monarco e Mauro Diniz


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