Notícias


403

Ao relembrar a vida e obra do homenageado ao no 24 º Prêmio da Música Brasileira, é impossível não mencionar uma das canções brasileiras mais conhecidas em todo o planeta: “Garota de Ipanema”.

 

A canção é a segunda mais tocada de todos os tempos, só tendo perdido o posto de campeã para “Yesterday”, dos Beatles, segundo informações do jornal O Globo. Quando questionado sobre esta comparação, aliás, Jobim respondia faceiro, que “os Beatles são quatro e eu sou apenas um”. A obra, composta pela dupla Tom e Vinícius em 1962, de início, tinha outro nome “Menina que passa” e outra letra:

 

Vinha cansado de tudo

De tantos caminhos

Tão sem poesia

Tão sem passarinhos

Com medo da vida

Com medo de amar

Quando na tarde vazia

Tão linda no espaço

Eu vi a menina

Que vinha num passo

Cheio
de balanço

Caminho do mar...”.

 

Contudo, Tom e Vinícius  não gostaram da letra. A versão definitiva a, em
português, foi refeita mais tarde, por um Vinícius encantado pela beleza de
Helô Pinheiro, que passava frequentemente em frente ao então Bar Veloso, em
Ipanema. A música foi lançada em 1963 pela gravadora Verve e no ano seguinte integrou o histórico LP “Getz/Gilberto”.

 

A trajetória internacional de “The Girl From Ipanema”, aliás, merece destaque. O livro Cancioneiro Jobim – Antonio Carlos Jobim – obras escolhidas, revela que seria pela voz de Astrud Gilberto, “numa gravação feita em março de 1963, com Tom ao piano, João Gilberto no violão e Stan Getz no sax, que a canção iniciaria sua retumbante carreira internacional.

 

João interpretaria “Garota de Ipanema” com letra de Vinicius”. Contudo, a cantora sugeriu que fosse gravada a versão americana, cantada por ela. Assim, João cantou com a letra em português e Astrud emendou com a letra do compositor Norman Gimbel, em inglês. Sem, é claro, esquecer dos solos de Getz e Jobim. Incrivelmente,
o LP ficou guardado na gravadora por quase um ano.

 

Contudo, quando finalmente chegou às lojas, o single “The Girl From Ipanema” estourou em vendas, foi parar no topo das hits parades, chegando a ganhar prêmios Grammy. E, não importa o tempo que passe, continua sendo uma linda expressão de sucesso do que há de melhor sobre o Rio de Janeiro.

 

Relembre a versão de “The
Girl From Ipanema”, com Astrud Gilberto e Stan Getz

 

Tom e Vinícius em gravação
histórica de “Garota de Ipanema”:

 

 


402

Em 12 de maio, Dia das Mães, não poderíamos deixar de lembrar de Dona Nilza, mãe de Tom Jobim, o homenageado desta 24ª edição. O maestro dizia que sua mãe era uma pessoa bem humorada e, por vezes,engraçada.

Contava que, certa vez, transitava com ela de bonde, pelas ruas do Rio. Sentado, começou a mexer com os pés até que, de repente, um de seus sapatos soltou-se e caiu. Ele levantou e, com seu jeito contemplativo, olhava o sapato na rua, cada vez mais distante do bonde.

Vendo o desassossego do filho, ao explicar-lhe o que ocorrera, ela abaixou-se, tirou o outro sapato do pequeno Tom, lançando-o fora. Ele retornou: “Mãe, por que fez isso?”.

E ela respondeu, com a sabedoria inerente às mães: “Ora, meu filho, quem encontrar um, encontrará o outro de poderá usar”.

O Brasil e o mundo são muito gratos a Dona Nilza e Jorge Jobim, que conceberam essa figura tão
especial para nossa música!

 

Na foto, Antônio Carlos Jobim, abraçado à mãe, Nilza Brasileiro de Almeida, aos três meses de idade.

Fotos: Instituto Tom Jobim

 


401

 

Adriana Calcanhoto e Zélia Duncan serão as apresentadoras do 24º Prêmio da Música Brasileira. Inegavelmente, um momento como este é especial na vida do artista, não somente pela emoção de estar homenageando grandes nomes da Música Popular Brasileira, mas também, devido à importância histórica da tradicional premiação.

A apresentadora da primeira edição do Prêmio, realizada em 1987, foi a atriz Eva Wilma. Na edição, o artista homenageado foi o grande parceiro do homenageado deste ano: Vinícius de Moraes. No ano seguinte, o Prêmio homenageou Dorival Caymmi e o apresentador da edição foi Chico Anysio.

Por tradição, os apresentadores do prêmio são sempre figuras carismáticas e talentosas do meio artístico. Em 1991, o homenageado foi
Luiz Gonzaga. Os apresentadores, o casal de atores, Gloria Menezes e Tarcísio Meira. Já na 18ª edição do Prêmio, que homenageou Zé Keti, em 2007, a apresentadora foi a atriz Fernanda Montenegro.

 Dona Ivone Lara foi a homenageada em 2010 e a premiação foi apresentada por Débora Bloch, a atriz já havia apresentado o Prêmio, em 1993 e também apresentou-o em 2011. No ano passado, ano que homenageou João Bosco, o PMB foi apresentado por Luana Piovani e Zélia Duncan, que voltará aos palcos do Theatro Municipal como apresentadora neste ano, dessa vez acompanhada por Adriana Calcanhoto.

 

Relembre alguns desses momentos históricos!

A primeira edição do PMB, de 1987:

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=UitKswvdsLk#!

Os flashes da premiação de 1991, com a apresentação de Gloria
Menezes e Tarcísio:

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=edfbXKRHF1k

Débora Bloch fala sobre a emoção de apresentar o PMB. Relembre!

Luana Piovani também deixou seu depoimento sobre esta sensação:


Um dos momentos marcantes na obra do homenageado pelo Prêmio da Música Brasileira deste ano, Tom Jobim, é a composição “Borzeguim”. Na canção, que integra o álbum “Passarim” de 1987, o maestro repercute a questão da sustentabilidade, antes mesmo que o tema viesse à baila, com a Eco 92.

 

No livro “Visão do Paraíso: a Mata Atlântica”, editado em 1995, o compositor revela um pouco sobre essa relação entre a sua obra e os temas ambientais. “Essas músicas que eu fiz, Dindi, Borzeguim, Águas de Março, e tantas outras, são todas inspiradas na floresta. Na Mata Atlântica a vida é em profusão (...). É bonita a mata, muito bonita! Por mais que a gente ande por aí, está sempre abismado com a exuberância de virtude, com a riqueza. Como diz
Drummond, ‘é uma doação ilimitada a uma eterna ingratidão’.”, ressaltou.

Abaixo, um trecho da canção. Neste vídeo clássico, Tom Jobim interpreta a música junto com Danilo
Caymmi:

“Deixa o tatu-bola no lugar

Deixa a capivara atravessar

Deixa a anta cruzar o ribeirão

Deixa o índio vivo no sertão

Deixa o índio vivo nu

Deixa o índio vivo

Deixa o índio

Deixa, deixa...”

Quase trinta anos se passaram e as referências feitas por Antonio Carlos Jobim, continuam atuais e inspiram outros trabalhos.Em 2012, o arranjador e compositor Mario Adnetlançou o projeto “Amazônia – Na Trilha da Floresta”. O projeto reuniu talentosos músicos e cantores na execução de repertório em homenagem a Floresta Amazônica. E, claro, “Borzeguim” não poderia ficar de fora desta especial seleção de canções!

Confira, abaixo, depoimento de Mônica Salmaso sobre a força desta canção:

Veja making of do
projeto “Amazônia – Na Trilha da Floresta” aqui.


399

Em 21 de abril comemorou-se o 53º Aniversário de Brasília. A ocasião remete a uma passagem histórica importante na vida e obra de Antonio Carlos Jobim: o lançamento de “Brasília – Sinfonia da Alvorada”.

A peça expressa com força o passo a passo da construção da capital, um dos principais legados do presidente JK. A canção capta com sensibilidade o “espírito ancestral do lugar” e a magnitude dos campos.

Em suas pesquisas sobre este período, a escritora Ana Miranda destaca que, logo após a inauguração da cidade, Tom e seu eterno parceiro Vinicius de Moraes queriam ter “contato humano” com Brasília. Assim, os músicos permaneceram no local por cerca de dez dias, buscando inspiração, enquanto compunham.

Segundo descreveu Vinicius, hóspedes do “Catetinho”, hoje tombado como monumento histórico, os músicos olhavam da sala de trabalho, “a mesma no qual o Presidente Kubitschek assinou seus primeiros atos na nova capital - a silhueta quase sobrenatural da cidade na linha extrema do horizonte, recortada contra auroras e poentes de indizível beleza. Havia em nós essa tristeza que nasce da beleza”.

Entretanto, o concerto de luz e som na Praça dos Três Poderes não ocorreu, por falta de verba. A peça somente foi levada à Praça dos Três Poderes em 1986, regida pelo maestro Alceu Bocchino, com Radamés Gnatalli ao piano, junto a Tom e Suzana, filha de Vinicius.

A Sinfonia tem música de Tom Jobim, poesia de Vinícius de Moraes e o LP da obra tem capa de Oscar Niemeyer. Durante as gravações da peça, no estúdio Colúmbia, no Rio de Janeiro, em 1960, a Orquestra Sinfônica esteve sob a regência de Jobim. A cantora Elizete Cardoso participou da obra, juntamente com o grupo Os Cariocas.

A Sinfonia é dividida em cinco partes:



 O Planalto Deserto:



O Homem:



A Chegada dos Candangos:

O Trabalho e a Construção:

Coral:

 Conheça um pouco mais sobre a relação de
Tom Jobim com a arquitetura:

Jobim, o arquiteto da música

http://premiodamusica.com.br/noticias/jobim-o-arquiteto-da-m%C3%BAsica