Noel Rosa e a entrevista póstuma a Sérgio Cabral
Como seria uma entrevista com um dos maiores personagens do samba? O jornalista Sérgio Cabral pensou em como se desenrolaria um papo com Noel Rosa a partir das composições do músico. A entrevista foi publicada no Pasquim, em 1973.
Os diálogos são geniais, assim como o retrato de Noel pintado por Cabral:
O PASQUIM – Você um cara cheio de problemas de saúde, não saía dos bares, bebendo a noite inteira, batendo papo, etc.
NOEL ROSA – Saber sofrer é uma arte. E pondo a modéstia de parte, eu sei sofrer.
O PASQUIM – Então você sofreu pra burro.
NOEL ROSA – Mesmo assim não cansei de viver.
O PASQUIM – Mas as mulheres de vez em quando, te faziam sofrer mais ainda.
NOEL ROSA – Quem sofreu mais do que eu não nasceu.
As declarações ao samba:
O PASQUIM – Você gosta mesmo é de samba, não é?
NOEL ROSA – O mundo é um samba em que eu danço sem nunca sair do meu trilho.
O PASQUIM – Você acha mesmo o samba um troço importante?
NOEL ROSA – Exprime dois terços do Rio de Janeiro.
O PASQUIM – Tenho vários amigos que não gostam de samba, querem voar mais alto.
NOEL ROSA – Mas quem voa em grande altura leva sempre grande queda.
O PASQUIM – Não fale assim, Noel, os caras podem se chatear.
NOEL ROSA – O que eu falo é bem pensado. Não receio escaramuça. E que aceite a carapuça quem se sente melindrado.
E em outro trecho, a ironia de Noel:
O PASQUIM – Você não tem medo de ninguém?
NOEL ROSA – Sou independente como se vê.
O PASQUIM – Independente? Está rico?
NOEL ROSA – Não consigo ter nem pra gastar.
O PASQUIM – Ou seja: está durão.
NOEL ROSA – Já estou coberto de farrapo, eu vou acabar ficando nu. Meu paletó virou estopa e eu nem sei mais com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou.
Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui.
E como você imaginaria Noel Rosa se ele estivesse vivo hoje?